Portugal

Visitar o Mosteiro da Batalha

O Mosteiro de Santa Maria da Vitória, vulgarmente conhecido como Mosteiro da Batalha, localiza-se na Batalha, a uma curta distância de Fátima. No mesmo dia visitei ainda as Grutas da Moeda. Nas redondezas é possível também fazer uma visita ao Mosteiro de Alcobaça, Grutas de Mira d’Aire e Pia do Urso.

Pequena história do Mosteiro da Batalha

A 14 de Agosto de 1385, estavam os Portugueses e os Castelhanos a prepararem-se para um confronto, que viria a decidir quem iria ficar com o trono português, quando D. João, Mestre de Avis, fez um voto à Virgem. Se ganhasse esta batalha, iria construir um monumento grandioso em sua honra. Com astúcia e destreza os portugueses ganharam a batalha de Aljubarrota, que assegurou o trono a D. João I e garantiu a independência de Portugal.
Assim sendo, cumpriu D. João I, o voto que tinha feito, mandando construir o Mosteiro da Batalha.

Consta-se que o início deste grandioso projecto data de 1386 ou 1387, levando mais de 150 anos a ser construído. Vários acrescentos foram introduzidos ao projecto inicial, resultando um vasto conjunto monástico que actualmente apresenta uma igreja, dois claustros com dependências anexas e dois panteões reais, a Capela do Fundador e as Capelas Imperfeitas.

O Mosteiro da Batalha conserva estilos góticos, manuelinos e renascentistas. No entanto, é predominantemente gótico, num estilo bem português, nomeadamente um dos melhores exemplos em Portugal do estilo Gótico Manuelino.

Este monumento que é indiscutivelmente uma das mais belas obras da arquitectura portuguesa e europeia, integra a Lista do Património da Humanidade definida pela UNESCO, desde 1983.

Organização do mosteiro

A entrada do Mosteiro da Batalha é feita pela sua majestosa igreja (de entrada gratuita). Mas antes de tudo, deslumbre-se com cada detalhe da porta principal. Este porta imponente, destaca-se pela sua monumentalidade e pelo rendilhado da pedra no exterior. Difícil é tirar os olhos dela!



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Igreja de Santa Maria da Vitória

A igreja organiza-se em três naves, as duas laterais mais estreitas e mais baixas que a central. No entanto, o que mais impressiona são os seus vitrais que deixam qualquer um boquiaberto. A luz exterior que penetra nos vitrais coloridos dá um encanto único ao local. O seu interior fica iluminado e colorido, fazendo lembrar a Sagrada Família, em Barcelona (apesar de em menores proporções).

A norte da igreja, existe ainda a Sacristia, com uma pequena dependência anexa chamada Casa da Prata, onde se guardou o Tesouro do Mosteiro (ambas fechadas ao público por motivos de obras).

É aqui que pode comprar os bilhetes e assim visitar os restantes espaços. Podem reservar cerca de uma hora para visitar tudo.

Capela do Fundador

A visita começa então pela Capela do Fundador, situada à direita da fachada principal. Esta não estava prevista no plano inicial do mosteiro. No entanto, a sua construção deve-se à decisão de D. João I de fazer um panteão familiar. Surge assim, pela primeira vez em Portugal, um local próprio exclusivamente destinado a panteão régio.

É um espaço quadrado, com topo octogonal que terá sido começada por volta de 1425 e concluída em 1434, ano em que lá foram sepultados D. João I e D. Filipa de Lencastre. O túmulo de ambos encontra-se na parte central, assentes sobre oito leões. Devido a uma preocupação crescente no que respeita ao tratamento da figura humana, este túmulo apresenta as estátuas do Rei e da Rainha como se tivessem a ser vistas de cima.

Nas paredes encontramos os vários túmulos dos seus filhos, juntamente com outros Reis. Este é um espaço cheio de significado histórico e artístico.

A visita ao Mosteiro da Batalha segue-se então pelos dois claustros.

Claustro Real ou de D. João I

O primeiro claustro a visitar é o Claustro Real. Isto é, grandes galerias cobertas, quadrangulares, em torno de um pátio e que permitiam a circulação fácil e rápida entre os vários locais, bem como a realização de actividades monásticas ou, simplesmente, o abrigo das chuvas e ventos ou um passeio dos monges.

Este bonito claustro está coberto por abóbadas de cruzaria e bastante trabalhado. Atente a cada pormenor.

No centro do claustro encontramos a porta ogival que dá acesso à Sala do Capítulo, ladeado de amplos janelões geminados. Todo ele é esculpido com motivos de folhagens ou pequenas cabeças e figuras humanas.
Esta era a sala onde se reuniam os frades para a leitura do capítulo ou da vida dos santos. Servia para todas as assembleias, em especial quando era preciso decidir qualquer assunto de interesse geral para o convento.

Neste espaço encontra-se ainda o Monumento aos Soldados Desconhecidos, cujas ossadas foram
transladados em 1921 para a Batalha e tumuladas em 1924.

Caminhando um pouco mais encontramos uma bonita fonte, outrora utilizada como lavatório. Servia para a higiene dos frades, antes e depois das refeições. As janelas ali presentes estão ricamente decoradas, tornando o local ainda mais especial.

Ali perto, está uma lojinha de lembranças, para relembrar a sua visita um dia mais tarde.

Claustro de D. Afonso V

Este claustro, de menores dimensões que o anterior, é bastante mais simples a nível de arquitectura. Ainda assim, foi um dos primeiros claustros a apresentar dois pisos, o que representava uma inovação para a época. O claustro de D. Afonso V respondia às necessidades mais comuns do quotidiano dos frades dominicanos. Assim sendo, no primeiro piso tínhamos a cozinha, a casa da lenha e do azeite, a dispensa, um refeitório pequeno (usado só em ocasiões especiais) e o lagar do vinho. No segundo piso estavam os dormitórios, a livraria e o cartório do Mosteiro.

Capelas Imperfeitas

A visita ao Mosteiro da Batalha está quase concluída, mas não antes de conhecermos as Capelas Imperfeitas. D. Duarte terá ordenado a construção desta área, como panteão privativo para si, para a sua família e descendência.

A construção de forma octogonal, conta com sete capelas, cada uma ligada entre si por uma construção mais pequena. Cada capela apresenta as armas e os símbolos daquele ou daqueles que iria acolher. D. Duarte, hoje, está sepultado na capela axial, de frente para o magnífico Portal Manuelino que dá acesso ao espaço central desta parte do edifício.

E porquê o nome de Capelas Imperfeitas? Nada mais nada menos do que o facto de elas realmente nunca terem sido acabadas. O que não as deixa menos majestosas, na minha opinião.

Estátua D. Nuno Álvares Pereira

No exterior, em frente ao Mosteiro existe uma estátua de D. Nuno Álvares Pereira montado a cavalo e pronto para combater. Este foi o fiel de D. João I na derrota aos Castelhanos. Daí a sua estátua ocupar um lugar de destaque no Mosteiro.

Visitar o Mosteiro da Batalha

É possível visitar esta linda obra de arquitectura, de 16 de Outubro a 31 de Março, das 09h às 18h (última entrada 17h30) e de 1 de Abril a 15 de Outubro, das 09h às 18h30 (última entrada 18h00). O monumento fecha portas a 1 de Janeiro, domingo de Páscoa, 1 de Maio e 24 e 25 de Dezembro.

O bilhete individual custa 6€ (preços de 2018). No entanto, pode comprar um bilhete conjunto, que engloba o Mosteiro de Alcobaça, o Mosteiro da Batalha e o Convento de Cristo, por 15€. Saiba ainda que todos os Domingos e feriados, a visita é gratuita até ás 14h. Para informação mais detalhada, consulte o site oficial do Mosteiro da Batalha.

Esta é uma visita imperdível para miúdos e graúdos. Aproveite para conhecer um pouco mais da história do nosso país 🙂

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