Marrocos

Uma noite no Deserto do Sahara: uma experiência incrível

Depois da minha estadia de três dias em Marrakech, fiz um tour de três dias e duas noites que me levou a sítios incríveis! Consulte aqui o artigo detalhado sobre esse tour. Mas, na verdade, estes tours são muito famosos uma vez que nos proporcionam a experiência de dormir uma noite no Deserto do Sahara.

Vou explicar-vos direitinho como têm de fazer, o que levar e como se prepararem para uma das melhores noites das vossas vidas 🙂

Antes de marcarem o tour, quer seja antes de irem, pela internet, ou já em Marrocos, tenham atenção a todos os detalhes, principalmente ao da noite no deserto.

Saiba de antemão que existem duas zonas mais importantes do Deserto do Sahara, são elas: Zagora e Merzouga.

O Deserto de Zagora é mais árido e com menos dunas que Merzouga. Aquelas imagens bonitas que vemos na internet, são portanto do Deserto de Merzouga. A vantagem principal de Zagora é que está mais perto de Marrakech.

Há pessoas que optam por fazer um tour de apenas dois dias e uma noite, por falta de tempo. Assim sendo, o deserto onde vai dormir é o de Zagora e não o de Merzouga.

Portanto, o meu conselho é: se tiver mais dias disponíveis faça o tour de três dias para não se tornar tão cansativo e ainda pernoita no deserto de Merzouga.

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Depois de chegarmos a Merzouga, o motorista parou o autocarro em frente a um hotel. Como ele era pouco comunicativo, ninguém percebeu bem o que tínhamos de fazer. Basicamente, esta é a “porta para o deserto”, logo tivemos de preparar tudo para tal.

No hall de entrada do hotel instalou-se a confusão. Todos tirámos as malas do autocarro e cada um escolhia alguns pertences para passar a noite. Ali podemos também comprar água. Depois de toda aquela azáfama, roupa espalhada pelo chão e alguma excitação, voltámos a colocar as malas maiores na bagageira do autocarro e ficámos apenas com uma mala de costas com o essencial para passar a noite.  Como já constataram, as nossas malas ficam no interior do autocarro, logo é conveniente levar consigo tudo de maior valor (passaporte, dinheiro, máquina fotográfica, etc.).

A grande questão: o que levar para a noite no deserto
    • Roupa confortável. Preferencialmente calças para evitar possíveis irritações na pele, uma vez que vamos estar em contacto com o pêlo do camelo
    • Calçado confortável. De preferência ténis
    • Uma muda de roupa (opcional). Eu levei umas leggins e uma camisola quentinha para dormir mais confortável. Pode parecer desnecessário, mas no deserto à noite faz frio
    • Protector solar
    • Óculos de sol
    • Lenço para proteger a cabeça e a cara. O melhor é trazer de Portugal (foi o que eu fiz), pois lá os preços são inflacionados
    • Toalhitas humedecidas e lenços de papel
    • Produtos de higiene: escova e pasta de dentes e desodorizante
    • Lanche (bolachas, por exemplo)
    • Lanterna
    • Máquina fotográfica
    • Objectos pessoais de maior valor


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A viagem

Depois do grupo estar todo organizado, os berberes (povo que vive em tribo no Deserto do Sahara) que já ali estavam à nossa espera, ajudaram-nos a colocar os lenços na cabeça. Seguimos então a pé (escassos metros) até à “entrada” do deserto, onde os camelos nos esperavam. Organizámo-nos em pequenos grupos e subimos para o dorso do camelo, rumo àquela que seria a melhor noite das nossas vidas!

Os camelos estão apetrechados com cobertores no seu dorso, a fazer de almofada, para não nos magoarmos nem magoar os bichos. Existe ainda um apoio para as mãos e um local para pôr a garrafa de água.

Os camelos são guiados por um berbere, que vai marcando o passo lentamente. Este era muito simpático e inclusive, ao longo da viagem, meteu música no seu telemóvel para tornar a viagem ainda mais especial.

O sol estava a pôr-se e os camelos conduziam-nos por entre as dunas de um dos maiores desertos do Mundo. É indescritível esta sensação. Somos tão pequenos neste globo, a que chamamos de Terra.

A viagem até ao acampamento durou cerca de uma hora e meia. Não posso negar que a viagem é exaustiva e bastante prolongada. A meio da viagem, o berbere parou os camelos para nos tirar uma foto a todos (foi muito querido) e ainda nos perguntou se estávamos todos bem e se podíamos seguir ou se queríamos descansar um pouco. Optámos por seguir.

A verdade, é que na primeira meia hora, os nervos e a excitação são de tal ordem que nem nos apercebemos se estamos desconfortáveis ou não. As pessoas falam alto, tiram imensas fotos e fazem festinhas ao animal. Viver uma experiência nova é assim mesmo – a adrenalina está no seu ponto alto!
Mas chega a um ponto que já não sentimos o rabo e as mãos começam a latejar. Portanto, o meu conselho é: tente descontrair ao máximo. As dores de rabo ninguém lhas tira, pois uma viagem destas, durante tanto tempo, é massacre para o rabo 🤣 Em relação às mãos, não faça demasiada força no apoio para evitar dores e calos futuros.
Não se assuste com os ruídos que o camelo emite. É uma sensação um pouco estranha.

Chegámos finalmente ao acampamento. Agora o silêncio que se apoderou de nós durante metade da viagem, foi sobreposto pela expressão: “Finally”. Apesar de ter adorado a experiência de andar de camelo, já não aguentava as dores no rabo 🤣

O nosso grupo foi o primeiro a chegar e a recepção de boas vindas foi feita por um berbere que nos aguardava à entrada do acampamento. Rapidamente nos mostrou os nossos aposentos e sugeriu-nos subir a uma duna para ver o que restava do pôr do sol. É-me difícil traduzir em palavras o que senti naquele momento. Uma sensação imensurável, só vivendo.

O acampamento

O acampamento era formado por seis tendas juntas, formando um semicírculo. Todas apresentavam capacidade para cinco pessoas, com duas camas de casal e uma individual. No chão estavam espalhadas várias mantas, para não haver contacto directo com a areia e manter o isolamento térmico. Aqui não há luxos nem mordomias. Mas é isso que torna a noite tão especial e genuína.

Havia ainda uma tenda maior, onde estavam cadeiras e mesas para o grupo se reunir e jantar.

Lembram-se de vos ter dito aqui que quem quisesse podia pagar mais e ficar numa tenda em privado? Pois bem, o acampamento também tinha outras tendas para o efeito, que se adequam a todos os tipos de público e bolsos. No entanto, tudo o resto era igual para todos.

No acampamento não havia casas de banho, ou um buraco na areia numa tenda, nada! No início faz um pouco de confusão, mas depois todos se adaptam.

O jantar

A noite caiu e depois de convivermos com o restante grupo ainda travámos amizade com um dos berberes responsáveis pelo acampamento que nos foi respondendo a todas as perguntas curiosas. O jantar foi servido. Não é ali que cozinham, é um carro que traz o jantar de um hotel.

Já nos tinham alertado para o facto de não servirem bebidas, daí nos aconselharem a cada um levar uma garrafa de água. Ou vinho, como algumas pessoas fizeram!

Veio uma travessa com tajine (deliciosa por sinal), outra com pão e outra com arroz. Não havia copos, nem tampouco guardanapos. Pedimos talheres e prontamente o pedido foi aceite. Cada um tinha o seu garfo. Faltavam apenas os pratos, ao qual nos foi respondido que não havia 😮

Sete pessoas acabadas de se conhecerem comeram da mesma travessa! Sim, leram bem! Ainda assim, a fome era tanta que ninguém se importou muito. E de facto, toda a refeição estava deliciosa.

Nós e uns italianos, que tínhamos conhecido durante o tour, convencemos um dos berberes a servir-nos chá de hortelã. Ele explicou-nos que não havia para tanta gente, pelo que nos refugiámos num cantinho e não podíamos contar a ninguém. Ups… 😜

A noite

Depois de todos termos jantado, cada um teve liberdade para fazer o que quisesse. Eu tinha levado uma lanterna, e ainda bem que o fiz. Afastei-me um pouco do acampamento e deixei cair o meu corpo sobre a areia. Não sei precisar quanto tempo ali estive. Deitada num dos maiores desertos do Mundo, a olhar o céu. E que céu! Um céu único onde se perde o olhar entre tantas estrelas.

Nunca na minha vida toda vi um céu assim. A cada estrela cadente que passava só se ouvia “Uau”. Muitos tiveram a mesma ideia de observar aquele céu!
Não consigo traduzir em palavras. Vão e vejam aquele céu com os vossos próprios olhos.

Mais tarde, os berberes acenderam uma fogueira e reunimo-nos todos à sua volta. Eles ensinaram-nos algumas músicas e todos juntos cantámos em redor da fogueira. O calor do fogo aqueceu a noite e ainda mais os nossos corações.

Costumam dizer que a temperatura no deserto desce imenso durante a noite. Eu fui no mês de Novembro e não achei nada disso. Nada que um pequeno casaco não resolva.

Depois desta noite, que mais parecia saída de um conto do Ali Babá, chegara a hora de descansar um pouco!

O regresso

Quando chegámos ao acampamento, tinham-nos dado duas opções para regressar a Merzouga. Uma delas era regressar de camelo às 5.30h da manhã e ver o nascer do Sol, a outra era acordar às 8h da manhã e ir de jipe 4×4 até ao hotel, mediante pagamento de 100 dh por pessoa. Alguns escolheram a segunda opção, ora para dormirem mais um pouco, ora pelas dores de rabo! A maioria, incluindo eu, acabou por regressar de camelo.

Acordaram-nos ainda era noite cerrada. Depois de estarmos todos reunidos, iniciámos a jornada até ao hotel. É uma sensação estranha andar de camelo sem ver praticamente nada, mas ao mesmo tempo apura-nos os sentidos.

Quando eu pensei que nada me poderia surpreender mais nesta experiência, eis que me surge este pensamento: estou a assistir ao nascer do Sol no dorso de um camelo, num dos maiores desertos do Mundo. Meu Deus, que sorte! E sim, é de facto magnífico assistir aos raios de Sol a pincelar as dunas douradas. É absolutamente deslumbrante!

Decidimos parar um pouco antes de chegar ao hotel. Subimos a uma duna e contemplámos a força da natureza. Dissemos assim adeus a uma das melhores experiências das nossas vidas!

Passar uma noite no Deserto do Sahara é um sonho que muitos têm. E o sonho está ao alcance de qualquer um, basta querer! O meu conselho é: vão! Sintam e vejam com os vossos próprios olhos!

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