Cabo Verde

Ilha do Sal – Santa Maria

Santa Maria

Santa Maria localiza-se a sul da ilha do Sal e é aqui que se concentram a maioria dos hotéis e se encontram as melhores praias da ilha. Os investimentos na área do turismo constituem uma fatia muito importante na economia da ilha.

Do aeroporto de Espargos a Santa Maria não são mais do que vinte minutos e o trajecto faz-se por uma estrada praticamente nova.

Aprendi uma coisa com os cabo-verdianos assim que cheguei (que tentei trazer para Portugal): lá a mulher é quem manda 😛

Vila de Santa Maria

Na vila existem bares e restaurantes, algumas mercearias (a venda de frutas e legumes na rua também é uma prática comum), cabeleireiros, escolas, igrejas e inúmeras lojas de artesanato e souveniers.

Para além dos cabo-verdianos constituírem a maior parte da população, Santa Maria alberga bastantes indivíduos de origem senegalesa. São estes últimos  que detêm a maioria das lojas de artesanato.

Não percebi bem como, mas eles reconhecem logo que somos portugueses e metem conversa. Adoram portugueses, o Benfica e o Cristiano Ronaldo. É impossível andar na rua sem cumprimentar, dar dois beijinhos, trocar meia dúzia de palavras. Ao início até tem piada, e começamos a integrar-nos e a falar com os locais. Depois de tanto insistirem e quase nos agarrarem, já perde a piada toda!  A maioria (99% das vezes) destas abordagens é para nos levarem a fazer compras na sua loja.

Os senegaleses estão em todo o lado, em qualquer esquina, prontos para nos impingir alguma coisa. Chega mesmo a ser exaustivo. Não podemos simplesmente ignorar que eles estão ali pois querem logo um aperto de mão, conversar um pouco, ficam até ofendidos se não respondemos e chegam a colocar coisas na nossa mão. Com tanta conversa com eles, perdemos imenso tempo. Alguns, inclusive, dizem para visitarmos a sua loja que tem coisas incríveis, e o turista vai atrás dele e acaba por andar, andar e andar, ficar perdido e essa tal loja ter exactamente o mesmo que as outras.

Duas dicas bastante preciosas: se quiser mesmo comprar algo conte com muito tempo para regatear. Regateie o máximo que conseguir. Eles vão dizer para levar mais isto e aquilo (até me puseram várias pulseiras no pulso). Compre só o que quiser e baixe os preços. Se estiver só a dar uma voltinha e não quiser comprar nada (e não ter que parar a cada 2 minutos) diga que não levou carteira. Turista sem dinheiro não serve de nada, certo? Eu experimentei esta abordagem e a verdade é que resulta mesmo!

A praia

Bem… A praia! Um extenso areal de areia fina e branca, onde cabe tudo e todos e um mar com água quente, límpida e azul-turquesa que nos enche os olhos. Que mais posso dizer?! Um paraíso!

A praia é um pouco ventosa, pelo que é excelente para a prática de alguns desportos náuticos. Em frente ao nosso hotel a água não era agitada, no entanto, em certas zonas há alguma ondulação, principalmente na zona de rebentação.

A cada mergulho sentimos uma enorme liberdade e vontade de nadar sem parar. Levámos o equipamento de snorkeling que tínhamos comprado. Conseguíamos ver os peixinhos quase transparentes a nadar mesmo ao lado das nossas pernas. Uma sensação incrível!

Não se esqueça de colocar sempre protector solar para não virar lagosta, mesmo até quando estiver a passear na vila!

Num dos dias que me tinha dedicado ao bronze (tipo frango no churrasco), vejo um cabo-verdiano a passear um macaquito com uma trela a virem em direcção a mim. Amante de animais como sou, começo logo a dar festinhas ao animal, a falar um pouco com o dono. Tudo muito engraçado até ao momento em que a Chica (nome da macaquita) me deu uma bela dentada na mão. Afincou-se de tal maneira à minha mão que pensei que ia ficar sem membro! O dono disse-nos que só existem 8 macacos na ilha e são de estimação. E eu, apenas uma semanita lá, e tinha de ser mordida! Tal sorte…

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Portanto, aqui fica uma dica muito preciosa: não dê festinhas nem alimente os animais. Por muito bem tratados que estejam não sabemos que doenças podem ter!

Consulte aqui algumas dicas para viajar para a Ilha do Sal

O Pontão

O pontão de Santa Maria é provavelmente o sítio mais turístico da vila. É o local que recebe diariamente os pescadores que ali descarregam o peixe, todas as manhãs. Pode-se ver desde peixes mais pequenos, a atuns maiores ou até mesmo tubarões! Funciona como uma “peixaria” ao ar livre, onde se recebe, arranja e se vende o peixe fresco. Discutem-se os preços e disputa-se pelo peixe maior.

Na borda do pontão estão homens a tentar a sua sorte com um fio de pesca, e ao lado as crianças tentam imitar. Faz imensa confusão ver crianças tão pequeninas na bordinha do pontão. Aos nossos olhos a qualquer momento vão cair, mas não! Parece que nasceram a fazer aquilo!

Também os jovens saltam para o mar, fazendo acrobacias, para delicia dos turistas. Dá uma vontade imensa de fazer como eles: correr de um lado ao outro e mergulhar com a alegria deles.

No pontão, algumas crianças tentam vender coisas aos turistas. Uma das conversas deliciosas que presenciei com um rapazinho de 8/9 anitos:

“Ele: Compras-me um búzio por 1€? Senhora: Compro, dá cá! Ele: Afinal já não tenho búzios, mas dás-me 1€ na mesma?” São adoráveis (e espertos!).

As tartarugas o Projecto Biodiversidade

Em Novembro não é uma boa altura para ver tartarugas devido à sua migração. No entanto, conseguimos ver os seus filhotes a desovarem.

Apanhámos um táxi desde o nosso hotel até ao hotel RIU para ver as tartaruguinhas bebés. Uma situação bem engraçada que reparámos foi o facto de os táxis não terem taxímetro. Ou seja, praticam os preços que bem lhes apetece, pareceu-me. Fazendo exactamente o mesmo trajecto, para o hotel RIU cobraram-nos 4€ e na vinda 3€.

Quando chegámos à praia vimos logo uma área cercada que pertence ao Projecto Biodiversidade. O Projecto Biodiversidade é uma organização não-lucrativa cabo-verdiana que visa proteger a vida selvagem através de programas de protecção ambiental conduzidos pela comunidade. Defendem a biodiversidade e os principais objectivos são desenvolver projectos de conservação sustentáveis e assegurar que estes animais estão protegidos dos caçadores e de outras ameaças. Como tal, criaram esta área cercada com vários ninhos repletos de ovos de tartarugas. Os ninhos podem ser realocados para um cercado de incubação quando as suas possibilidades de sobrevivência estão comprometidas. Em cima de cada ninho está um letreiro onde consta o número de ovos lá existentes.

Por volta das 17h (na altura do pôr-do-sol), um grupo da equipa do projecto desloca-se ao local até ao amanhecer para verificar a actividade de cada ninho. Quando os ninhos eclodem, os filhotes são colocados num balde com areia húmida, para posteriormente serem libertados numa praia segura, onde vão iniciar a sua viagem. Para ajudar o projecto, pode apadrinhar uma tartaruga fazendo uma doação.

Este processo não é propriamente natural, mas é uma das formas de conservação da espécie. E é tão ternurento ver as tartaruguinhas saírem dos ovos e iniciarem assim a sua longa viagem…

 

Pode espreitar também a excursão que fizemos da volta à ilha do Sal!

2 thoughts on “Ilha do Sal – Santa Maria”

  1. Bom texto e ótimas fotos! Parabéns! Ia-lhe pedir duas opiniões relativamente ao melhor sítio para efetuar o cambio e, no nosso caso que temos o voo de regresso a Portugal por volta das 23h, se é tranquilo conseguir um taxi à noite que nos leve ao aeroporto. Obrigado e boas viagens!

    1. Boa noite! Muito obrigada pelas palavras 🙂 Relativamente à viagem à Ilha do Sal, eu não cambiei moeda. Levei tudo em Euros, e eles lá aceitam, sem problema (apesar de sairmos em desvantagem). Quanto ao táxi à noite acho que não haverá problema. Nunca me senti insegura em qualquer momento. Vá sem receios, vai adorar! Qualquer coisa estou pronta para ajudar. Beijinhos e boa viagem*

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