Portugal

O que visitar nas Caldas da Rainha, a Terra do Zé Povinho

Foi no último fim-de-semana do ano de 2019 que decidimos explorar as Caldas da Rainha, juntamente com uma localidade próxima, Óbidos. E que bela forma de terminar o ano!
Fomos sem grandes planos, confessamos. Mas que foi uma bonita e agradável surpresa, ai isso é que foi! Venham então connosco descobrir o que visitar nas Caldas da Rainha.

Onde se localiza

A bonita e vibrante cidade das Caldas da Rainha localiza-se na região Centro de Portugal, mais precisamente no distrito de Leiria. Fica próxima de Alcobaça, Foz do Arelho e Óbidos, pelo que é um excelente destino para compilar vários locais numas férias ou escapadinha de fim-de-semana.

Um pouco de história…

A cidade das Caldas da Rainha foi procurada pela Rainha Dona Leonor, esposa de D. João II, rei de Portugal no séc. XV. Aqui teve a oportunidade de comprovar as propriedades terapêuticas das águas termais. Depois de ter experimentado vários tratamentos, viu sarada uma ferida que há muito não cicatrizava.
Como já naquela época a população local se banhava para curar os seus males, a Rainha mandou construir um Hospital. A povoação ficou assim conhecida como “Caldas da Rainha”.

Ainda hoje, o Hospital Termal que é alimentado por cinco nascentes, é recomendado para o tratamento de reumatismos crónicos e outras perturbações do aparelho locomotor e respiratório.

Além de ser considerada uma “cidade termal”, aqui nasceram figuras importantes da cultura portuguesa.  Destacamos o pintor José Malhoa (séc. XIX) e também Rafael Bordalo Pinheiro, caricaturista do séc. XIX. Este último fundou a Fábricas de Faianças das Caldas da Rainha onde se começou a fabricar a popular loiça das Caldas. As peças mais conhecidas são aquelas que inserem características de humor.
Devido à sua forte tradição artística, com aposta principalmente na produção de cerâmica, a cidade foi nomeada Cidade Criativa da UNESCO, em 2019.

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O que visitar nas Caldas da Rainha
Chafariz das Cinco Bicas

Este chafariz, classificado como Imóvel de Interesse Público, foi edificado segundo um programa para colmatar a falta de abastecimento de água à cidade, impulsionado pelo Rei D. João V.

O chafariz de cinco bicas é uma alusão às Oceânides, divindades femininas personificadas em fontes ou riachos que descendiam do Oceano, o deus grego das águas correntes. É possível aceder às bicas por dois lanços de escadas laterais. Em frente desta, no plano térreo, vemos um outro tanque que servia de bebedouro aos animais.

Museu do Ciclismo

Se é amante da prática de ciclismo, não pode perder mesmo a visita a este museu. Inaugurado em 1999, reúne peças relativas à história do ciclismo no país.

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Parque de estacionamento do Hospital da cidade

Não é propriamente um local que se costume visitar quando queremos conhecer uma cidade. No entanto, achámos este mural tão bonito, que decidimos inclui-lo no artigo.
A parede que divide o parque de estacionamento do edifício onde decorrem consultas de Psicologia e de acompanhamento a grávidas está agora decorado de forma colorida com vários rostos coroados. Além de homenagear a rainha, naturalmente, é uma bonita forma também de homenagear as mulheres caldenses.

Museu de Cerâmica

O Museu da Cerâmica foi criado no ano 1983 e ficou instalado no palacete Visconde de Sacavém. O museu tem colecções de vários centros cerâmicos do país e do estrangeiro. A obra Rafael Bordalo Pinheiro é a que tem mais destaque.

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Jardim da Água

O Jardim da Água, além de se apresentar como um espaço bastante bonito é também um percurso pedonal.

Foi criado pelo artista Ferreira da Silva, que recorreu a materiais como o vidro, a cerâmica e o ferro, contribuindo assim com uma decoração original que dispõe de um espectáculo de águas e de diversos efeitos de cor e luz.

Igreja Nossa Sra. do Pópulo

A igreja localizada junto ao hospital termal data do ano 1500 e foi mandada construir pela Rainha Dona Leonor. Alguns anos depois foi autorizado aos utentes do hospital termal terem acesso a este templo através de um corredor que os ligava, fazendo dela a capela privativa do hospital.

Só em 1510 esta ermida foi elevada a Igreja Matriz das Caldas da Rainha, sendo mais conhecida como a Igreja Matriz da Nossa Senhora do Pópulo, e ainda hoje é lá celebrada missa.

No interior sobressaem-se os azulejos seiscentistas e a pia baptismal, de planta octogonal em forma de cálice.

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Hospital Termal Rainha Dona Leonor

Considerado o hospital termal mais antigo do mundo, está situado na pequena praça Dona Leonor e sofreu algumas transformações ao longo dos séculos.

No ano de 1484, a Rainha Dona Leonor viajava para a Batalha e avistou um grupo de plebeus que se banhava em águas enlameadas. Curiosa, parou ali e explicaram-lhe que se tratavam de águas milagrosas.
Ela própria quis comprovar as propriedades terapêuticas das águas termais e viu sarada a sua ferida que há muito não cicatrizava. Satisfeita com tamanho poder curativo, a Rainha Dona Leonor criou as condições para os utilizadores daquelas águas, mandando erigir, em 1485, o hospital termal e um estabelecimento para os banhos. As suas águas, analisadas pela primeira vez em 1743, confirmaram a sua riqueza mineral.

O Museu do Hospital e das Caldas

O edifício onde se instalou o Museu tem origem na antiga “Caza Real”, assim conhecida por ter servido de acolhimento à família real.

O museu revela as memórias da instituição e do espaço urbano que se desenvolveu em seu redor, e ainda um museu ligado à origem da cidade e ao hospital termal. Pode consultar todas as informações aqui.

Parque D. Carlos I

A verdade é uma: ficámos rendidos a este parque! Considerado um dos melhores parques do País, é um projecto do arquitecto Rodrigo Berquó, datado de 1889, e foi pensado para os doentes do hospital termal.

Neste parque encontra árvores seculares, uma biodiversidade única, um bonito lago com barcos de recreio a remos e um parque infantil. É possível ainda ver várias esculturas espalhadas pelo parque 😉.
Mas foi, sem dúvida, a escultura intitulada como “A Dor” que mais nos marcou. O seu criador, o modernista José Franco, retratou numa escultura a sensação de perda, desespero e dor, sem mostrar sequer o rosto.

Esta mulher é D. Amélia, que chora a morte do marido e filho, vítimas de regicídio.

É impossível sair do parque sem reparar nos edifícios ali existentes. Tratam-se dos Pavilhões D. Carlos I, também intitulados por “Hospital D. Carlos” ou “Pavilhões do Parque”.

Estes pavilhões são também da autoria de Rodrigo Maria Berquó e foram edificados no sentido de transformar as Caldas da Rainha numa estância termal ao nível de outras já existentes na Europa. Apesar de parecerem um cenário tirado de um filme de fantasmas são, na verdade, considerados um dos melhores edifícios da arquitectura termal.

Dois anos depois do início da sua construção, o arquitecto Berquó morreu e as obras pararam e o projecto caiu no abandono. Desde então os edifícios tiveram várias utilizações, no entanto, actualmente está entregue ao destino.

Apesar do seu propósito inicial não ter sido concluído, esta obra constitui ainda hoje um ex-líbris da cidade!

Museu José Malhoa

Situado no interior do Parque D. Carlos I, o Museu José Malhoa reúne colecções de arte portuguesa centradas no naturalismo, academismo e tardo-naturalismo. Na pintura, destaca-se naturalmente o importante conjunto da obra de José Malhoa.

Pode consultar todas as informações aqui.

Igreja Nossa Sra. da Conceição

Vale a pena passar pela Igreja Matriz da paróquia de Caldas da Rainha. É um templo do século XX, com nave de estrutura rectangular e capela-mor.

Praça da Fruta

O Mercado de Rua Caldense, mais conhecido como Praça da Fruta, ocorre diariamente ao ar livre das 8h às 15h30. Mesmo que a intenção não seja a de comprar fruta, vale muito a pena passar por lá e ver as bancas coloridas. O difícil será mesmo resistir!

O legado de Rafael Bordalo Pinheiro

Como já se aperceberam, a arte cerâmica está muito presente na cidade. Tal facto deve-se essencialmente a Bordalo Pinheiro que viveu alguns anos nas Caldas da Rainha e veio dinamizar ainda mais a cidade. O autor do famoso “Zé Povinho” e do “falo das Caldas” é tão importante para a região que inspirou uma Rota Bordaliana.

Pela cidade encontramos várias obras dele, sendo a rã gigante na rotunda junto à estação de comboios uma das mais conhecidas.

Onde ficar

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Afinal, há ou não há tanto para fazer na cidade? Então, agora que já sabe o que visitar nas Caldas da Rainha, faça as malas!

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